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Competência de leitura em surdos de 1ª-9ª série

(Aline Cristina Mauricio)




Aline Cristina Mauricio. Competência de leitura em surdos de 1ª-9ª série : avaliando processos quirémicos, semânticos, e ortográficos via Teste de Nomeação de Figuras (TNF1.1 -Escolha). 01/12/2004
1v. 332p. Mestrado. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - PSICOLOGIA (PSICOLOGIA EXPERIMENTAL)
Orientador(es): Fernando Cesar Capovilla
Biblioteca Depositaria: Biblioteca do Instituto de Psicologia da USP

Email do autor:




Palavras - chave:
leitura, avaliação de linguagem, surdez, lexico


Área(s) do conhecimento:
PSICOLOGIA EXPERIMENTAL


Banca examinadora:
Alessandra Gotuzo Seabra Capovilla

Elizeu Coutinho de Macedo

Fernando Cesar Capovilla


Linha(s) de pesquisa:
PROCESSOS COGNITIVOS, AFETIVOS E SOCIAIS NO SER HUMANO Percepção. Estudos da Experiência Intersubjetiva. Interação verbal e construção de conhecimento. Neuropsicolinguística cognitiva experimental. Processos envolvidos no desenvolvimento da linguagem e seus distúrbios.


Agência(s) financiadora(s) do discente ou autor tese/dissertação:
CAPES - DS


Idioma(s):
Português


Dependência administrativa
Estadual


Resumo tese/dissertação:
O Teste de Nomeação de Figuras por Escolha (TNF?Escolha) é parte de bateria de onze testes originais para avaliar o desenvolvimento da linguagem de sinais e das competências de leitura e escrita. Elaborada especialmente para a população escolar surda brasileira, tal bateria foi validada e normatizada com amostra de 1.158 escolares surdos. O teste de nomeação de figuras por escolha de palavras escritas avalia o desenvolvimento da competência de leitura e analisa a participação de processos quirêmicos, ortográficos e semânticos envolvidos na escolha de palavras escritas para nomear figuras que representam conceitos conhecidos (em especial, objetos ou animais) da população escolar no Ensino Fundamental. Ele se apresenta em duas versões originais (i.e., TNF1.1?Escolha e TNF2.1?Escolha) para permitir avaliações repetidas sem contaminação de efeito de aprendizagem de resposta ao teste entre as avaliações. Cada uma dessas versões contém 36 itens, sendo cada item composto de uma figura e de quatro palavras escritas que constituem alternativas de escolha. No caderno de aplicação, as quatro palavras escritas alternativas aparecem ao lado da figura a ser nomeada. A tarefa do examinando consiste em escolher, dentre as quatro palavras escritas, aquela que corresponde à figura, e assinalá-la. Dentre essas quatro alternativas, uma é a palavra alvo que corresponde à figura modelo e as outras três são palavras distraidoras. O objetivo da inclusão das palavras distraidoras é o de induzir erros de leitura (i.e., paralexias quirêmicas, ortográficas e semânticas) que são de importante valor teórico, conceptual e diagnóstico. A escolha da palavra alvo conta 1 ponto; a de qualquer distraidora, 0 ponto. Portanto, o escore máximo é de 36 pontos. Para cada item há três tipos de palavras distraidoras: (1.) A distraidora quirêmica, cujo sinal subjacente assemelha-se ao sinal que subjaz à figura modelo a ser nomeada; (2.) A distraidora ortográfica, cuja forma ortográfica assemelha-se, de algum modo, à forma ortográfica da palavra alvo que deve ser escolhida; e (3.) A distraidora semântica, cujo significado se encontra relacionado, de algum modo, ao significado da figura modelo a ser nomeada, embora não corresponda precisamente a ele. Assim, a inclusão das distraidoras no teste objetiva induzir paralexias quirêmicas, ortográficas e semânticas que revelam os tipos de processo empregados para a leitura e o estágio de desenvolvimento da leitura em que se situa o examinando. Especificamente: (1.) A inclusão de palavras distraidoras semânticas objetiva induzir erros semânticos, que são de interesse porque sugerem insuficiência de vocabulário em Português ou de habilidade de leitura; (2.) A inclusão de palavras distraidoras quirêmicas objetiva induzir paralexias quirêmicas, que são de interesse teórico e diagnóstico, sendo que sua ocorrência significativa sugere que, durante a leitura, de modo a conseguir resgatar palavras escritas para nomear figuras, o leitor costuma obter acesso ao significado por meio de sinalização interna, isto é, evocando o sinal correspondente à figura modelo para nomeá-la com um sinal, e usando esse sinal como indexador da forma ortográfica a ser resgatada do léxico ortográfico; (3.) A inclusão de palavras distraidoras ortográficas objetiva induzir paralexias ortográficas, também de interesse teórico e diagnóstico, sendo que sua ocorrência com freqüência significativa sugere que o leitor faz uso de um estilo logográfico baseado na tentativa de reconhecimento visual direto da forma ortográfica geral das palavras familiares. Como esse estilo falha em incorporar o processo de decodificação grafêmica de modo suficientemente eficaz para permitir penetrar na intimidade grafêmica da palavra e identificar malformações ortográficas, ele resulta em paralexias ortográficas, cuja freqüência de ocorrência tende a ser inversamente proporcional à freqüência de ocorrência da palavra para o surdo. Ou seja, quanto menor a força da representação ortográfica de uma dada palavra no léxico ortográfico do leitor surdo, tanto maior a probabilidade de paralexias e paragrafias ortográficas envolvendo essa palavra. Portanto, as palavras distraidoras e as respectivas paralexias que induzem são as seguintes: (1.) A palavra distraidora quirêmica é aquela cujo sinal subjacente tem forma semelhante à do sinal subjacente à figura a ser nomeada. Na tarefa de nomeação de figuras por escolha de palavras escritas, tal semelhança pode induzir paralexias quirêmicas, que consistem em escolher palavras escritas sem qualquer relação semântica ou ortográfica com as palavras alvo que designam as figuras, exceto pela semelhança entre o sinal que subjaz à figura e o sinal que subjaz à palavra escrita. Tais paralexias quirêmicas são de interesse teórico e diagnóstico, e sua ocorrência significativa sugere a existência de mediação por sinalização interna. Ou seja, indica que, para conseguir entender o significado das palavras escritas durante a leitura, bem como para resgatar a representação ortográfica das palavras durante a tarefa de nomeação de figuras, o leitor faz uso da sinalização interna, evocando o sinal correspondente às palavras escritas e às figuras modelo a serem nomeadas, aplicando esse sinal a essas palavras e figuras e, então, fazendo uso desse sinal como chave para acesso ao léxico semântico na tarefa de leitura, e como indexador da forma ortográfica a ser resgatada, de modo a resgatar essa forma ortográfica a partir do léxico ortográfico na tarefa de nomeação de figuras; (2.) As palavras distraidoras ortográficas são aquelas cuja forma ortográfica assemelha-se à forma ortográfica da palavra alvo a ser escolhida. Na tarefa de nomeação de figuras por escolha de palavras escritas, tal semelhança pode induzir paralexias ortográficas, que consistem em escolher palavras escritas cuja forma ortográfica geral tem semelhança genérica com a forma ortográfica da palavra escrita que corresponde à figura modelo. Tais paralexias ortográficas são de interesse teórico e diagnóstico, e sua ocorrência significativa sugere que o leitor faz uso de um estilo logográfico baseado na tentativa de reconhecimento visual direto da forma ortográfica geral das palavras familiares, estilo esse que falha em incorporar o processo de decodificação grafêmica de modo suficientemente eficaz para permitir penetrar na intimidade grafêmica da palavra e identificar malformações ortográficas, resultando, assim, em paralexias ortográficas cuja freqüência de ocorrência tende a ser inversamente proporcional à freqüência de ocorrência da palavra para o surdo; (3.) As palavras distraidoras semânticas são aquelas cujos significados estão relacionados aos das figuras modelo a serem nomeadas, embora não correspondam precisamente a ele. Na tarefa de nomeação de figuras por escolha de palavras escritas, essa relação pode induzir paralexias semânticas, que consistem em escolher palavras escritas com significado diferente do figura, mas de alguma forma relacionado a ele. Tais paralexias semânticas são de interesse teórico e diagnóstico, e sua ocorrência significativa sugere que o leitor tenta obter acesso ao léxico semântico, mas que esse acesso é dificultado por insuficiência de conceitos, vocabulário, ou habilidade de leitura. Cada uma das duas versões originais (i.e., TNF1.1?Escolha e TNF2.1?Escolha) tem, também, duas outras versões, uma reordenada (i.e., TNF1.2?Escolha e TNF2.2?Escolha) e uma revisada (i.e., TNF1.3?Escolha e TNF2.3?Escolha). Todas essas versões são apropriadas para aplicação coletiva em sala de aula. Além disso, as versões reordenadas 1.2 e 2.2 são, também, apropriadas a aplicação individual, já que cada uma delas contém os mesmos 36 itens da sua respectiva versão original 1.1 e 2.1 ordenados por grau de dificuldade crescente, o que permite usar critérios de piso e teto para abreviar consideravelmente a aplicação, expondo o avaliando apenas aos itens mais adequados à sua faixa etária, de escolarização e de desempenho. O critério de piso é baseado na série escolar da criança e em seu desempenho inicial no teste, e serve para determinar o ponto a partir do qual a aplicação do teste deve iniciar. Por sua vez, o critério de teto é baseado no desempenho durante o teste (i.e., número de erros seguidos, ou em um determinado bloco) e serve para determinar o ponto em que a aplicação do teste deve ser interrompida. Nas versões revisadas 1.3 e 2.3, alguns itens da versões originais 1.1 e 2.1 foram substituídos por outros ainda mais adequados para aperfeiçoar o poder de indução de erros pelos distraidores e o teor discriminativo do teste. A presente dissertação dedica-se à normatização e validação do TNF1.1?Escolha. A dissertação apresenta essa primeira versão original (TNF1.1?Escolha), e suas respectivas versões reordenada (TNF1.2?Escolha) e revisada (TNF1.3?Escolha). Ele disponibiliza integralmente o caderno de aplicação de cada uma dessas três versões, bem como tabelas de dados normativos do TNF1.1?Escolha, e dados de validade por comparação com todos os demais dez testes que compõem a bateria. No presente estudo, o TNF1.1?Escolha foi aplicado a uma amostra de 320 escolares surdos de 6 a 45 anos de idade, estudantes da 1a. série do Ensino Fundamental até a 1a. série do Ensino Médio, provenientes de quatro escolas, sendo duas Escolas Municipais de Educação Especial (i.e., Emee) de São Paulo (i.e., Emee Madre Lucie Bray, e Emee Professora Neusa Bassetto) e duas escolas filantrópicas do interior do estado de São Paulo (i.e., Escola Especial para Crianças Surdas da Fundação Rotarianos, e Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem). Essa amostra de 320 alunos era composta, em sua maioria, de estudantes sinalizadores com surdez profunda pré-lingual e perilingual. Dos 320 estudantes, 262 tinham algum tipo de perda auditiva (i.e., congênita ou adquirida) declarada, sendo que, desses, 203 tinham perda congênita (três casos de perda leve, 25 de moderada, 45 de severa, 130 de profunda) e 59 tinham perda adquirida (seis casos de perda moderada, dezessete de severa, 36 de profunda). Em termos do modo de comunicação (i.e., oralização, gesticulação, e sinalização) em diferentes contextos, foi constatada nessa amostra prevalência crescente de sinalização e prevalência decrescente de oralização e da gesticulação à medida que o surdo passa da família para a escola, e desta para a comunidade. Conforme os prontuários dos 320 escolares surdos, nessa passagem, a preponderância da sinalização aumentou de 45,46% para 57,53% para 66,67%, respectivamente; ao passo que a da oralização declinou de 41,13% para 36,99% para 30,83%, respectivamente; e a da gesticulação declinou de 23,40% para 5,48% para 2,50%, respectivamente. Os resultados revelaram que, no TNF1.1?Escolha, os 320 escolares surdos obtiveram média de 24,8 pontos (DP = 9,2). A análise de covariância revelou um aumento sistemático na habilidade de nomear figuras por meio da escolha de palavras escritas, desde a 1a. série do Ensino Fundamental até a 1a. série do Ensino Médio (i.e., de 13,3 a 21,5 a 22,9 a 29,1 a 31,4 a 32,5 a 33,6 a 34,5 a 34,6 pontos, respectivamente), quase atingindo a pontuação máxima (i.e., 36 pontos). Com base em tais dados, este estudo normatizou esse TNF1.1?Escolha por série escolar e o validou por comparação com os resultados nos dez outros testes de desenvolvimento da linguagem de sinais e escrita, igualmente normatizados para a mesma população escolar surda. Além da tabela de normatização e dos dados de validação, o estudo ofereceu a versão reordenada (TNF1.2?Escolha) com os 36 itens ordenados por grau de dificuldade crescente. Comparando os resultados sob as duas versões originais do teste (i.e., TNF1.1?Escolha e TNF2.1?Escolha), o estudo demonstrou que elas podem ser usadas de modo intercalado para acompanhar o desenvolvimento da competência de leitura, evitando o efeito de aprendizagem de resposta ao teste entre as avaliações. O estudo também ofereceu a versão revisada (TNF1.3?Escolha) com vinte aperfeiçoamentos de palavras distraidoras para aumentar a indução de paralexias semânticas, quirêmicas e ortográficas. Em termos de validade por critério de inter-relação com outros testes, os resultados revelaram o seguinte padrão de inter-relações do TNF1.1?Escolha com os demais testes: (1.) Correlação muito alta (r = 0,90) com a segunda versão original 2.1 do mesmo teste (TNF2.1?Escolha); (2.) Correlação alta (r = 0,78 a 0,84) com a habilidade de escrever os nomes de figuras (TNF1.1?Escrita e TNF2.1?Escrita); (3.) Correlação média alta (r = 0,74) com a competência de leitura de sentenças (TCLS1.1); (4.) Correlação média (r = 0,65 a 0,66) com a habilidade de escolher os nomes de sinais da Libras (TNS1.1?Escolha e TNS2.1?Escolha); (5.) Correlação média baixa (r = 0,64) com a competência de leitura de palavras (TCLP1.1); (6.) Correlação baixa (r = 0,62 a 0,63) com a habilidade de escrever os nomes de sinais da Libras (TNS1.1?Escrita e TNS2.1?Escrita); e (7.) Correlação muito baixa (r = 0,41) com o vocabulário receptivo visual de sinais da Libras (TVRSL1.1). Em termos de eficácia das palavras distraidoras em induzir paralexias quirêmicas, ortográficas e semânticas, foi constatado que o TNF1.1?Escolha produziu 470 instâncias de paralexia quirêmica, dentre as quais: (1.) Para nomear a figura de hipopótamo, dezoito surdos escolheram a palavra distraidora PERNAMBUCO; e (2.) Para a figura de milho, dezoito surdos escolheram a palavra distraidora BOMBOM. O TNF1.1?Escolha produziu 491 instâncias de paralexia semântica, dentre as quais: (1.) Para nomear a figura de piano, 47 surdos escolheram a palavra distraidora SANFONA; (2.) Para nomear a figura de cotovelo, 38 escolheram a palavra JOELHO; (3.) Para nomear a figura de ovelha, 36 escolheram a palavra BODE; (4.) Para nomear a figura de sofá, vinte escolheram a palavra CAMA; (5.) Para nomear a figura de trem, vinte escolheram a palavra TRATOR. O TNF1.1?Escolha produziu 544 instâncias de paralexia ortográfica, dentre as quais: (1.) Para nomear a figura de sapo, 45 surdos escolheram a palavra distraidora ortográfica SOPA; (2.) Para nomear a figura de garrafa, 38 escolheram a palavra GIRAFA; (3.) Para nomear a figura de esmalte, 35 escolheram a palavra MALTE; (4.) Para nomear a figura de hipopótamo, 33 escolheram a palavra HIPÓDROMO; (5.) Para nomear a figura de borboleta, 26 escolheram a palavra BORBULHAR; (6.) Para nomear a figura de mala, 24 escolheram a palavra MELA; (7.) Para nomear a figura de calça, 23 escolheram a palavra CALDA; (8.) Para nomear a figura de xícara, 22 escolheram a palavra CHÁCARA. O estudo contribuiu para corroborar a hipótese de que o léxico quirêmico indexa itens do léxico ortográfico a itens do léxico semântico. A plausibilidade da hipótese de mediação por sinalização interna é exemplificada pelo efeito da palavra distraidora quirêmica PERNAMBUCO. Dos 176 examinandos surdos confrontados com a tarefa de escolher a palavra escrita para nomear a figura de um hipopótamo, apesar da forte relação semântica entre os conceitos de hipopótamo e rinoceronte, e apesar da forte similaridade ortográfica entre as palavras escritas HIPOPÓTAMO e HIPÓDROMO, dezoito sinalizadores com surdez pré-lingual profunda escolheram a palavra PERNAMBUCO, que não tem qualquer similaridade ortográfica nem semântica com a palavra HIPOPÓTAMO. Esse item se qualifica, assim, como um caso muito provável de mediação por sinalização interna, uma vez que os sinais HIPOPÓTAMO e PERNAMBUCO compartilham elevada proporção de elementos sublexicais, o que os torna muito semelhantes entre si. A propósito, essa proporção pode ser medida precisamente por meio do sistema computadorizado de indexação e busca quirêmica de sinais de F. Capovilla et al. (2003) publicado no Sign Language Studies. Diversas análises adicionais demonstraram ulteriormente a validade das palavras distraidoras ortográficas e quirêmicas do TNF1.1?Escolha. A lógica da demonstração é a seguinte: Se os erros induzidos por palavras distraidoras ortográficas e quirêmicas são, de fato, de natureza ortográfica e quirêmica, respectivamente, então deve ser possível identificar correlações negativas entre a freqüência de erros ortográficos e a competência de leitura de palavras, bem como entre a freqüência de erros quirêmicos e a compreensão de sinais da Libras. Além disso, deve ser possível encontrar uma dupla dissociação envolvendo erros quirêmicos e vocabulário de sinais de um lado, e erros ortográficos e competência de leitura de palavras de outro lado, de modo que, comparando as correlações negativas entre a competência de leitura e a indução de erros por palavras distraidoras quirêmicas e ortográficas, deve ser observada maior correlação negativa com as distraidoras ortográficas. E, reciprocamente, comparando as correlações negativas entre a compreensão de sinais da Libras e a indução de erros por palavras distraidoras quirêmicas e ortográficas, deve ser observada maior correlação negativa com as distraidoras quirêmicas. Para testar essa hipótese, foram obtidos os correlogramas entre a freqüência de erros induzidos pelos dois tipos de palavras distraidoras (i.e., ortográfica e quirêmica) e o desempenho nos dois tipos de teste (i.e., competência de leitura de palavras em Português e conhecimento de sinais da Libras). Foram também calculadas as regressões das freqüências de erros induzidos pelas palavras distraidoras ortográfica e quirêmica sobre a competência de leitura de palavras em Português e o conhecimento de sinais da Libras. Os resultados revelaram o seguinte: (1.) Em termos da força das distraidoras como função do vocabulário de sinais da Libras, foi observado que, quanto maior a compreensão de sinais, tanto melhor a nomeação de figuras por escolha de palavras escritas e tanto menor o efeito das distraidoras, sendo que esses benefícios de redução de erro, produzidos pelo conhecimento de sinais, foram maiores para controlar o efeito das distraidoras quirêmicas, seguidas das ortográficas e das semânticas. As análises de regressão da freqüência de erros induzidos por distraidoras como função da compreensão de sinais revelaram correlações negativas significativas que foram maiores para distraidoras quirêmicas (r = 0,54) do que para ortográficas (r = 0,48), e para estas do que semânticas (r = 0,44). (2.) Em termos da força das distraidoras como função da competência de leitura de palavras, foi observado que, quanto maior a competência de leitura de palavras, tanto melhor a nomeação de figuras por escolha de palavras escritas, e tanto menor o efeito das distraidoras, sendo que esses benefícios de redução de erro, produzidos pela competência de leitura, foram maiores para controlar o efeito das distraidoras ortográficas, seguidas de quirêmicas e de semânticas. As análises de regressão da freqüência de erros induzidos por distraidoras como função da competência de leitura de palavras revelaram correlações negativas significativas que foram bem maiores para distraidoras ortográficas (r = 0,60) do que para quirêmicas (r = 0,40), e para essas do que para semânticas (r = 0,32). Fica, assim, empiricamente demonstrada a dupla dissociação teoricamente esperada. Em suma, no TNF1.1?Escolha: (1.) A freqüência de indução de erros por distraidoras ortográficas foi inversamente proporcional à competência de leitura de palavras, tal como medida pelo Teste de Competência de Leitura de Palavras (TCLP1.1). Do mesmo modo, (2.) A freqüência de indução de erros por distraidoras quirêmicas foi inversamente proporcional ao conhecimento de sinais da Libras, tal como medido pelo Teste de Vocabulário Receptivo de Sinais da Libras (TVRSL1.1). Portanto, esse estudo estabeleceu a validade das distraidoras quirêmicas e ortográficas do TNF1.1?Escolha em, de fato, induzir erros de natureza quirêmica e ortográfica, respectivamente. Além da validação e normatização da versão original e das versões reordenada e revisada do teste, esta dissertação também fornece os modelos teóricos de F. Capovilla (no prelo b, no prelo c) que apresentam uma análise da estrutura sublexical morfêmica da Libras e uma discussão aprofundada do processamento de leitura em surdos, das relações entre competências de leitura e escrita alfabéticas, leitura labial, memórias de trabalho fonológica e quirêmica, fala e sinalização internas, vocabulário receptivo de sinais da Libras e de leitura em Português, e dos diversos tipos de paralexia e paragrafia cometidas por surdos ao lidar com o código alfabético. A partir deste estudo, torna-se possível avaliar o envolvimento relativo de processos quirêmicos, ortográficos e semânticos subjacentes ao desenvolvimento da competência de leitura de palavras e da habilidade de nomear figuras por escolha de palavras escritas por parte de escolares surdos desde o início do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. Isso permitirá aperfeiçoar as condições de ensino a partir da descoberta daqueles que são mais eficazes ao desenvolvimento da alfabetização e escolarização competentes. Em conjunto com os outros testes que compõem a bateria de avaliação de desenvolvimento da linguagem escrita e de sinais no surdo, o TNF1.1?Escolha e sua versão original alternativa (TNF2.1?Escolha) constituem importantes instrumentos no arsenal de recursos do educador do surdo brasileiro. Palavras-chave: leitura, avaliação, língua de sinais, surdez, desenvolvimento, linguagem, léxico



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