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Depoimento Pessoal

(Mazé Fontes)




Pedagogia sistêmica para mim representa um campo novo na forma de aprender e de ensinar algo. É um instrumento criativo e muito eficaz para lidar com crianças portadoras de dificuldades de aprendizado.

Quero ressaltar que ao decidir fazer a formação em pedagogia sistêmica, com Paula Matos, eu não tinha em especial qualquer vínculo ou compromisso com o sistema educacional público ou privado. Não sou professora, pedagoga, psicopedagoga ou profissional de áreas afins. Mas, moveu-me a necessidade de conhecer um instrumento que me permitisse ajudar meu neto de 12 anos, um garoto lindo, muito dócil e carinhoso, cursa a 6ª serie do ensino fundamental em um colégio particular e é portador de um diagnóstico (severo?) de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Para não identificar, vou chamá-lo de Lucas.

Em aula, meu querido Lucas se distrai facilmente. É muito disperso. No final do período, enquanto retorna para casa, se perguntado como foi à aula, ele não sabe informar. Diz que esqueceu, não lembro, não quero falar, etc. A escola o trata com muito respeito e carinho. Por considerar que é portador de necessidade especial (desconheço se existem outras crianças com o mesmo problema) disponibiliza durante a aula e em especial em ocasião de provas e avaliações, outro professor que o ajuda a focar na tarefa que está sendo desenvolvida. Com isso consegue um melhor desempenho.
Mas nem sempre foi assim. Meu pequeno Lucas, antes freqüentou outra escola, a qual não olhava para a problemática dele com o respeito e a competência que a situação exigia. Vou ilustrar isso com um fato: os trabalhos de classe eram feitos em dupla. Auto escolha entre os alunos. O companheiro que meu neto escolheu tinha dificuldades semelhantes. “Chegavam ao final sem realizar a tarefa porque ambos ficavam dizendo um ao outro: “Você é burro”; “Não! Burro é você”. Daí, pode-se imaginar o reforço negativo que este diálogo fazia na auto-estima dos dois.

Até dá para entender que a escola não é, para meu neto, um lugar agradável, que gosta de ir. Ao contrário, representa um peso, um sofrimento. Para ele, a segunda feira é o pior dia da vida. O mais difícil. Um dia que não deveria existir, pois terá que ir para a escola por mais cinco dias consecutivos.

Eu olho para isso com muita angústia e preocupação, porém, com uma vontade incontida de encontrar uma alternativa, um modo de motivá-lo, para que estabeleça com a escola e com o aprendizado uma relação mais adequada, satisfatória e feliz. O que mais me angustia é perceber nele uma sensação de desesperança, uma certeza de que não vai conseguir. Isto faz já parte do perfil de sua auto-estima. Antes de iniciar qualquer atividade já tem a derrota como certa.

O diagnóstico de (TDAH) responde por uma grande frustração naqueles que são portadores. As crianças com este transtorno não são como querem ou como se esforçam para ser. São como são. E sofrem. Porém eu creio que não irreversivelmente. A ciência e a pedagogia hão de mostrar um modo de lidar com o desafio da aprendizagem e da motivação destas pessoas que enquanto crianças caminham em um umbral de dificuldades sem tamanho. E o nome disso é sofrimento. Um sofrimento que se caracteriza por um estigma (uma marca de SOU MENOS, sou burro ou não sou bom o suficiente) e também por um sentimento de medo, abandono e de exclusão.


A LIÇÃO DE CASA

O dever de casa de uma criança portadora de (TDAH) não é tarefa fácil para ele e menos ainda para a família. As dificuldades da sala de aula se repetem, agora, amparadas pelo amor e atenção que esperam receber. Este, é sempre deixado para a última hora. Quando chega o momento inevitável, aparece a vontade ilimitada de ir ao banheiro, coçar o corpo, ou de fazer qualquer coisa, menos a de dar atenção ao dever de casa.

Lucas tem uma dificuldade adicional e é também “portador de discalculia*” o equivalente da dislexia para matemática. A discalculia* é um distúrbio neurológico (não causa deficiência mental como algumas pessoas pensam), que afeta a habilidade com os número e cálculos.
Na grade curricular, a única disciplina que Lucas gosta e tem facilidade de aprender e memorizar são os conteúdos de CIÊNCIAS.

Há, porém, um paradoxo no comportamento e na inteligência do Lucas. Ele é portador de habilidades especiais. Por exemplo, é um exímio jogador de vídeo game. Faz isso com muita dedicação, e habilidade técnica. Percebe com muita clareza a complexidade das etapas seqüenciais do jogo, a trama que envolve os personagens e os desafios que vai enfrentar. Melhor que isso tem um comprometimento desafiador consigo mesmo de vencer a etapa seguinte. Observa cuidadosamente onde errou pra corrigir a jogada. E o faz, na maioria das vezes com êxito. A impressão que tenho é a de que ele deve a si mesmo uma resposta boa, uma vontade de ultrapassar limites e uma necessidade de desempenhar de modo positivo a atividade que gosta de fazer. Por acaso, nasce daí alguma pista para a psicopedagogia lidar com a motivação de quem sofre de (TDAH) nos conteúdos da vida escolar? Tomara que sim!

Só para lembrar mais um exemplo, Lucas conta com detalhes a história do Harry Potter depois que assiste qualquer um de seus filmes.


A PEDAGOGIA SISTÊMICA

Acompanhar a lição de uma criança quem tem TDAH e descalculia exige paciência e amor. E eu tenho as duas coisas com meu neto. Além disso, eu acredito no que o Bert Hellinger diz: “O amor dos pais fluindo nos filhos é à força da educação.” Agora, mais que antes, tenho esta certeza.
Em 2010, já perto das provas finais do ano letivo, quando os pais de Lucas, por motivos de trabalho, tiveram que passar uma semana em outro estado, fiquei cuidando dele. A recomendação era de que não me preocupasse se ele não fizesse bem a lição, pois segundo avaliação de escola, estava com possibilidade de ficar para recuperação em todas as matérias. Isso me foi passado com uma disfarçada tranqüilidade.

No mesmo dia eu e Lucas conversamos sobre as provas que iria fazer. Falou-me que estava muito mal. Contou que iria ficar para recuperação em tudo. Pediu-me para rezar pedindo a Deus para ele não ser reprovado. Prometi que faria isso e muito mais, eu iria estudar com ele e ensinar-lhe um segredo que iria fazer ele aprender tudo, e na hora da prova, lembrar daquilo que estudou. Falei que aquilo, por enquanto seria um segredo nosso, pois iria ensinar coisas parecidas com aquelas que Harry Potter sabe e muitas pessoas não gostam e não entendem. O que eu vou ensinar é uma forma de aprender o que a gente já sabe. É fácil! A gente só recorda. Tudo já está lá na alma da gente. Ele então me perguntou: eu já sei o que vou estudar? Respondi: SIM! Você já sabe, afirmei. Como? Perguntou ele.

Ao invés de responder, perguntei você gosta de Ciência? Sim, respondeu.
- Então vou te perguntar uma coisa: por que você tem olhos verdes?
- Porque meu pai e minha mãe têm olhos verdes.
-Quem trouxe a cor dos olhos do seu pai e de sua mãe para seus olhos? Perguntei.
Falou que não sabia que não lembrava etc. Mas insisti.
_ Você já ouviu falar em DNA?
_ Já Vó! E concluiu. Foi o DNA que trouxe para mim a cor dos olhos dos meus pais.
_ Aleluia!!!Aleluia!!! Falei com alegria. E afirmei que o DNA tem uma grande memória. Ele também trás outras coisas, outras informações. Por exemplo, o conhecimento de matemática que seu pai tem é passado para você por esta memória da vida. Seu pai sendo engenheiro tem que saber matemática e esse conhecimento é passado para você e fica lá guardadinho. Aí quando você estuda matemática sua alma lembra-se disso e aprende, ou melhor, recorda.
-Verdade vó?
-Verdade. Respondi.
-Outra coisa, os pais passam a memória do que eles sabem e também a memória que receberam das pessoas que vieram antes deles; dos avós , dos bisavós e de todo mundo da família que nasceu antes do pai e da mãe. Por exemplo, seus dois avôs são formados em Direito. Quem faz faculdade de direito aprende a escrever muito bem. Então, para aprender a escrever, você vai só recordar esse conhecimento de seus avôs. Aquilo que vem pelo DNA fica gravado no corpo. A gente nunca esquece. Para lembrar a gente tem apenas que prestar atenção no que a professora ensina e no dever de casa. Só isso. Nem precisa muito esforço. Já está lá.
_Sabe por que o Harry Potter aprendeu tudo aquilo, todos aqueles poderes? Por que o Pai e a Mãe dele eram Bruxos poderosos e inteligentes.

_ Verdade vó, o pai do Harry Potter tinha muito poder, ele falou.

Depois de ganhar a confiança no processo eu falei para ele: agora chegou a vez do segredo. E o segredo é: não tenha medo da aula ou da prova, pois você nunca está só. Seu pai e sua mãe estão sempre com você em suas costas. Eles lhe dão força e saber. Pense nisso assim: quando sentar no seu lugar, você imagina (só imagina) que seus pais estão atrás de você para lembrar o que você já sabe.

Falei que eu também iria estar atrás da mãe dele ajudando ela a lembrar o que fosse preciso e que, nesta provas, eu iria também estar atrás dele rezando para que Deus o ajude a lembrar de tudo.

Feito isso, coloquei os bonequinhos, como estão na ilustração, para que visualizasse a família na forma sistêmica e também para que entendesse que toda essa gente fez e aprendeu coisas importantes. Que tudo isso que fizeram e aprenderam permanece em nosso corpo como memória. E que esta é a forca de cada um. Esta força é encontrada na família.

Lembrei de afirmar ainda que também eu, às vezes, tenho medo de fazer certas coisas e, quando isso acontece, imagino meus pais atrás de mim porque assim eu perco o medo e me sinto forte. Afirmei que os pais nos apóiam sempre, mesmo que estejam longe ou mortos.

Depois pedi que olhasse nos meus olhos e procurasse se ver lá na “menina do olho”. Quando se visse levantasse o polegar em sinal afirmativo. O que foi feito. “Então eu falei “EU VEJO VOCÊ” e ele deveria responder e “EU ESTOU AQUI”. Falamos isso várias vezes, até começamos a rir descontraidamente.

Depois fiz um exercício prático de colocar os pais nas costas. Assim: ele colocaria os dele e eu os meus. Ambos imaginaríamos que nossos pais estavam com a mão apoiada no nosso ombro enquanto a gente estudava um pouco de matemática. Só um pouquinho. Aproveitei para ensinar sobre as quatro operações: somar, subtrair, multiplicar e dividir. Falei que somar e multiplicar são cálculos iguais. Ambos procuram um total. A soma procura isso juntando quantidades diferentes (1+2+5=8) e a multiplicação junta quantidades iguais (2x2x2=8). Fiz os cálculos com os bonequinhos.
No final estudamos a lição marcada como conteúdo da prova.
Neste dia Lucas voltou da escola mais animado. Achou que foi mais ou menos na prova. Perguntei se colocou os pais atrás de si. Respondeu que sim, mas não o tempo todo, pois esquecia. Mas quando lembrava se sentia mais forte e protegido.

Lucas estuda no período da tarde. Nesta primeira noite não estudamos nada. Ficou livre para brincar um pouco e combinamos de acordar cedo para estudar a prova do dia seguinte. Ao começar colocávamos nossos pais às nossas costas. No final do dia ele chegava achando que foi mais ou menos ou não sabia como foi.

O resultado foi surpreendente. Lucas ficou de recuperação em apenas uma disciplina.


CONCLUSÕES

-Pedagogia sistêmica, neste caso foi como uma luz no fim do túnel. Permitiu, em curto prazo, um resultado concreto para um caso considerado difícil sob a ótica da pedagogia tradicional. Acredito que carece de continuidade e acompanhamento. Acredito também que a família nuclear de Lucas deveria buscar as causas sistêmicas dessa dificuldade, através da Constelação Familiar, pois a minha hipótese é que, por amor, ele está sendo fiel a algum antepassado excluído do sistema educacional. Como foi dito (pág. 2) existe sentimento de medo, abandono e exclusão.

-As escolas em geral deveriam dispensar outro olhar para as crianças com TDAH uma vez que não lhe falta uma inteligência diferenciada (e eu diria privilegiada) para o desenvolvimento de habilidades do seu próprio interesse. Hoje estas crianças são muitas nas escolas do Brasil e do mundo. Que a ciência acorde para subsidiar os professores para a tarefa de ensinar estes pequenos. Que um dia serão grandes!!!




Autora: Mazé Fontes - Assistente Social CRES/SP 1648 - Terapeuta Holística, formação em Renascimento, Constelação Sistêmica Familiar e Empresarial, Medicina Tradicional Chinesa e Numerologia (mapa individual e calendário anual). Especializada em numerologia empresarial e assessoria de RH.Email: < mazefontes@hotmail.com>



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