Compartilhe







Publicidade

Metalinguagem e Aquisição da Escrita: Contribuições da pesquisa para a prática da alfabetização

A aquisição da linguagem escrita constitui-se como problema nacional. Temos alunos que chegam à quarta ou quinta série do ensino fundamental sem a aquisição da leitura e escrita, devido a problemas com a aquisição do código alfabético e/ou dificuldade na compreensão. Neste panorama buscamos, como professores atuantes, teorias e métodos que nos auxiliem a compreender o processo e também procuramos alternativas para o trabalho em sala de aula.

No livro Metalinguagem e Aquisição da Escrita: Contribuições da pesquisa para a prática da alfabetização encontramos estudos teóricos que nos permitem compreender um conceito novo para muitos professores alfabetizadores que é a Metalinguagem. E temos também artigos que relatam experiências práticas, o que torna o conhecimento mais significativo e compreensível. E nos permitem visualizar de forma clara a utilização dessa teoria em sala de aula como ferramenta do trabalho docente, os resultados das pesquisas são apresentados de forma didática e objetiva.

Esta leitura é agradável e estimulante fazendo com que criemos vínculos entre os relatos e nossa prática. Na Introdução a organizadora nos oferece um contexto histórico e educacional da aquisição da linguagem escrita e sua relação com as habilidades metalingüísticas. A autora parte da compreensão da aquisição natural, no meio social, da linguagem oral e chega à aquisição da linguagem escrita via processos intencionais e organizados, que se constituem no ensino e mostra a importância da compreensão pelos professores de que a aquisição da linguagem escrita merece um cuidado e carinho especial. Finalmente apresenta uma nova proposta teórica, a metalinguagem, para o auxílio na compreensão e no trabalho nessa fase fundamental do ensino.

Jean Emile Gombert em seu texto Atividades Metalingüísticas e Aprendizagem da Leitura, apresenta os seguintes conceitos: epiprocessos e metaprocessos. Estes conceitos são fundamentais para a compreensão da teoria os primeiros seriam as autocorreções observadas nas crianças de 2-3 anos e os segundos são os comportamentos metalingüísticos que se constituem quando a criança é capaz de manipular intencionalmente as estruturas lingüísticas de seu idioma. Como escreve Gombert:

Resulta daí que a criança aprende a falar e a compreender a linguagem oral sem que lhe seja necessário conhecer conscientemente a estrutura formal(fonológica e sintática) de sua língua nem as regras que ela aplica no tratamento dessa estrutura e sem que ela tenha consciência de efetuar um trabalho destinado à instalação de novos conhecimento(p. 21)s.

Essas tarefas em ação no tratamento da linguagem escrita requerem um nível mais alto de abstração, elaboração e controle do que no tratamento da linguagem oral. O simples contato prolongado com a escrita não é suficiente para instalar na criança habilidades de tratamento desse nível (p. 22).

Gombert analisa a aquisição da linguagem escrita a partir dos processos de decodificação, que dizem respeito à aquisição do código alfabético e à compreensão em leitura. Com esta leitura nos é proposta uma reflexão a respeito de um aspecto básico para o processo de leitura e escrita a aquisição por parte da criança do código alfabético. Na conclusão do artigo Gombert escreve a respeito da relação entre a disfunção da aprendizagem e do iletrismo presente na França, destacando a implicação do meio social nesse processo. Com esta leitura podemos ampliar a nossa visão enquanto educadores e refletir a respeito de nossa realidade.

O Papel Facilitador das Habilidades Metalinguisticas na Aprendizagem da Linguagem Escrita, escrito por Sylvia Domingos Barrera destaca a relação entre o desenvolvimento de habilidades metaligüísticas e a aprendizagem da linguagem escrita, mostrando que esta relação não se encontra elucidada, constituindo-se como área para pesquisas. Barrera analisa as três habilidades envolvidas na metalinguagem: consciência fonológica , consciência lexical e consciência sintática. Este texto nos oferece uma compreensão a respeito da relação entre as habilidades específicas e a aquisição da linguagem escrita.

Fräulein Vidigal de Paula e Maria Isabel da Silva Leme no capítulo A importância do desenvolvimento da metacognição para a superação de dificuldades na aquisição da leitura fazem uma análise dos processos metacognitivos envolvidos no processo de leitura, por meio de uma pesquisa que buscava compreender a relação da metacognição e o nível de desempenho da leitura de crianças. Este trabalho nos permite vislumbrar aspectos que muitas vezes em nossa prática não estão claros nem em nosso foco, mas que são bases para que o processo de aquisição da leitura ocorra de forma adequada.

No capítulo Desenvolvendo a habilidade de produção de textos em crianças a partir da consciência metatextual, Aurino Lima Ferreira e Alina Galvão Spinillo apresentam os resultados de uma pesquisa de intervenção na produção de histórias por crianças. Por meio de atividades voltadas para o desenvolvimento da consciência metatextual, ou seja, a capacidade de refletir deliberadamente sobre o esquema narrativo próprio das histórias como escrevem os autores. Encontramos neste capítulo uma descrição precisa das atividades realizadas, oferecendo-nos técnicas para estudo e aplicação em sala de aula, subsidiando nossa prática.

O aperfeiçoamento da concepção alfabética de escrita: Relação entre consciência fonológica e representações ortográficas de Sandra Regina Kirchner Guimarães nos convida a uma proposta para a compreensão do processo de aquisição da linguagem escrita analisando a concepção alfabética, os erros decorrentes da análise fonológica, da análise contextual e da análise morfossintática e finalmente decorrentes do desconhecimento da origem da palavra e por generalizações de regras. Temos aqui um texto que nos permite olhar para as dificuldades dos alunos de uma forma lógica e nos permite vislumbrar um horizonte para atuação.

O texto final do livro Leitura em crianças bilíngües: Uso das rotas fonológica e lexical em português e alemão de Alessandra Gotuzo Capovilla, Nora Machalous, Fernando César Capovilla buscam compreender as estratégias que crianças bilíngües, alfabetizadas simultaneamente em dois idiomas, utilizam para tornar-se competentes em leitura e escrita, apresentam também as suas dificuldades. O estudo realizado analisou específicamente duas rotas: a fonológica e a lexical . Este capítulo é de grande importância para a compreensão de alguns dos erros apresentados pelas crianças no processo de alfabetização e partir disso a construção de uma prática focada na resolução dos mesmos.



http://www.submarino.com.br/produto/1/1020996/?franq=134375



{* Google Analytcs *}