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Vítimas ou Protagonistas?

A idéia deste artigo é fazer uma reflexão a respeito do comportamento humano ao enfrentar os problemas de nosso dia a dia corporativo. No último trimestre de 2005, Rogério Vitta [2] e eu, fizemos duas dinâmicas com as líderes de equipe de atendimento e equipe de desenvolvimento de sistemas nas quais discutimos nossas atitudes enquanto líderes e liderados. Abaixo apresento as questões abordadas nesses dois encontros.



Penso que é importante para a compreensão de minha visão a respeito dessas questões falar um pouco a meu respeito. Em geral as pessoas se surpreendem quando digo que minha graduação foi em física, mas o foi. Com o perdão de meus colegas físicos acadêmicos vou fazer aqui uma generalização: considero a física o estudo da natureza de forma ampla e geral, o que não significa frágil ou aligeirada. Natureza da qual fazem parte tanto a matéria (objetos físicos) quanto os sistemas de informática e os sistemas humanos, ou como muitos o chamam, a natureza humana.



Os parágrafos acima já dariam margens para grandes discussões filosóficas, deixo essas discussões para conversas posteriores. Neste artigo pretendo apresentar um ponto de conexão entre como enxergo a física (ciência exata) e a psicologia (ciência humana).



Uma das leis básicas da natureza é a conhecida “Lei da Inércia”, a qual nós físicos costumamos dizer que um corpo tende a continuar em repouso ou em movimento com uma velocidade contínua, até que alguma força atue sobre ele. Em outras palavras, se uma maçã esta parada em equilíbrio em cima de uma mesa, ela vai continuar parada lá até que alguém faça alguma coisa com ela. Se você esta dirigindo seu carro numa rodovia em velocidade constante, ele só vai fazer a curva que se aproxima se você girar o volante. Se você tem um filho adolescente ouvindo música deitado no sofá, ele vai permanecer lá em inércia até que alguma força atue sobre ele, que pode ser sua mãe o puxando pela orelha ou uma outra grande força impulsionadora vindo do seu estômago, fazendo-o levantar para pegar aquela maça que estava quietinha lá em cima da mesa para comê-la.



Mas afinal, o que tem a inércia a ver com o comportamento humano dentro das empresas? Eu acredito que as pessoas em geral também são dominadas pela inércia, hora paradas em suas zonas de conforto, hora realizando “atividades” contínuas e repetitivas sem nenhum pensamento consciente, até que alguma “ação” as tire dessa zona de conforto.



O leitor perseverante que ainda não dormiu, percebeu que acima destaquei as palavras “atividade” e “ação”. Vejamos as definições que me auxiliam a compreender esses dois fenômenos as quais encontrei no livro de Porché e Nieder:



atividade: exercício, movimento, funcionamento, operação, estar ocupado;

ação: manifestação da vontade, realização, obra, desempenho.



Quantos de nós estamos apenas realizando alguma “atividade” dentro da empresa, e quantos estão realmente em “ação”?



A inércia de se realizar apenas “atividades” nos traz uma certa tranqüilidade, pois quando algo muda, não é nossa culpa, fomos apenas vítimas de alguma “ação” externa.



Por exemplo, quando estávamos sentados à nossa mesa digitando um relatório por 3 horas e a energia elétrica falhou (fomos vítimas da companhia elétrica); quando o ano fiscal acabou e não conseguimos alcançar nossas metas de vendas (fomos vítimas do tempo que passou muito rápido); quando desenvolvemos um projeto e descobrimos ao final que não era nada daquilo que o usuário queria (fomos vítimas do cliente que não soube explicar o que queria).



Estou certo que todos nós poderíamos ficar horas dando exemplos de como fomos e somos vítimas de alguma ação externa que atrapalhou nossas atividades. Veja bem, atrapalhando nossas atividades e não nossas ações.



Em geral somos muito bons em encontrar culpados para tudo que dá errado, somos treinados desde criança para agirmos dessa maneira. Quem de nós não ouviu ou disse: “Mamãe, o copo de leite caiu sozinho” (pulou da minha mão e suicidou-se); “Papai, a bola quebrou a janela sem querer” (foi dominada por uma força invisível em direção à vidraça); “A professora me deu zero na prova” (ela só perguntou as coisas que eu não sabia).



Como citei no início, acredito que isto seja um comportamento considerado natural. A inércia faz parte do nosso cotidiano e é algo comum na natureza de um modo geral, e com certeza também o é na natureza humana. Qual o problema então? O problema é que estamos em um mundo que cada vez nos desafia com mais mudanças e para reagirmos com mais eficiência, precisamos sair dessa postura passiva de vítima e agirmos como protagonistas, com ações conscientes e racionais.



O ambiente corporativo nos desafia a aumentar o desempenho, tomar decisões, agir, sermos responsáveis por nossa vontade e por nossas ações e não mais vítimas das circunstâncias. Isso não esta relacionado apenas com a alta gerência das empresas, mas está relacionado principalmente com nosso cotidiano, aonde decidimos fazer uma cópia do relatório que estamos digitando antes que sejamos surpreendidos por problemas técnicos. Estamos sendo protagonistas toda vez que revemos nossas vendas e agimos durante o percurso para corrigir o desempenho, toda vez que questionamos ativamente nosso cliente até conseguir um planejamento adequado e claro para todos, no desenvolvimento de um sistema, entre outros exemplos. Em todas essas situações, estamos abandonando a inércia de nossas atividades e estamos nos tornando protagonistas das soluções por meio de ações.



“Se não somos parte do problema (vitimas), não podemos ser parte da solução (protagonistas)” – (Fred Kofman)



Para concluir esta reflexão, apesar de ser natural e estarmos acostumados a ter uma atitude mais passiva e inerte, para conseguirmos alcançar resultados com mais eficiência, devemos começar mudando nossa atitude de vítimas das circunstâncias para protagonistas das ações.



“No jogo corporativo, nem sempre podemos escolher as cartas, mas podemos escolher como jogá-las”. - (Fred Kofman)



http://www.submarino.com.br/produto/1/259755/?franq=134375

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